Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
O ELEMENTO MAIOR
Howard Hawks é símbolo da paz. Novamente temos a crença no simples, no ser humano, trabalhada ao longo de uma jornada épica. El Dorado remete a Onde Começa o Inferno ao reapresentar uma delegacia e seus arredores como palco de uma encenação moral onde são colocadas as ambigüidades do mundo, o caráter impulsivo das motivações e sentimentos surgidos nas relações entre uns e outros que nos tornam, enfim, quem somos. Não há distinção entre sexos, pois todos no mundo são fortes o bastante para provocar em igualdade. Hawks trabalha tão bem a ação quanto o que está por trás dela - ou seja, quem a executa. Nesta grande marca dos filmes do mestre, temos suas mulheres, todas fortes, imponentes, maravilhosamente humanas. Temos o senso de humor, os olhares, os movimentos de câmera, a onipresença do espetáculo, tudo para reerguer (a princípio) as personagens no seu mundo e afirmá-las ao cinema como símbolos da observação.
E a canção-tema de Nelson Riddle é inesquecível.
El Dorado   
de Howard Hawks. Roteiro de Leigh Brackett, baseado em livro de Harry Brown. John Wayne, Robert Mitchum, James Caan, Charlene Holt, Michele Carey, Arthur Hunnicutt, RG Armstrong, Edward Asner. 126 minutos. EUA, 1966
Visto em dvd, Janeiro/2006
posted by tobey, an acer at 2:24 PM
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Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
NÃO É MAIS UMA MÚSICA DO TITÃS. É NATURAL
Há algo muito muito bom a se notar em Tudo em Família e Impulsividade, que é a maneira do olhar à família, ou como esta se entrega ao espectador. Em ambos os casos obtêm-se o triunfo de desmontar algumas expectativas ou quebrar qualquer clichê de narrativa de uma saga familiar (grosso modo) e, através dela e de seus eventuais meandros obter-se a moral ou a mensagem ou a idéia (que, em cada caso, ou em todos eles juntos, acabam sendo mais ou menos a mesma coisa sempre).
Peguemos o "filme de Natal" (pois ele não se resume a isso) de Thomas Bezucha. Há um diálogo chave entre as personagens de Diane Keaton e Luke Wilson, mãe e filho, no qual ela diz, com alegria, conforto, espirituosidade e despretensão que havia "desistido dele", uma menção ao possível fato do mesmo estar, naquele momento, chapado de maconha. Outra inversão mostra-se presente no casal gay e na ambientação interiorana (para dizer o mínimo de ambos). Não é o que o cinema americano costuma mostrar, e geralmente quando o faz é como um agente de conflito, e não como condição introdutória.
A personagem de Sarah Jessica Parker representa o que seria a ameaça a esta harmonia - os conflitos surgem a partir daí, diante do resto, e não dele. Todas obviedades que hão de seguir desanimam bem pouco diante de tanta animosidade para os padrões de Hollywood.
Em Impulsividade existem coisas sim a serem mais bem resolvidas e conversadas entre os membros da família, mas esta se impõe de maneira igualmente exemplar - e não só ela, vale lembrar, pois tudo vai azedando bem aos pouquinhos ao redor de Justin Cobb. O garoto ainda chupa o dedo, e ele tem dezessete. Uma certa lucidez acompanha a relação de pai (Vincent D'Onofrio) e filho (Lou Taylor Pucci). A possível insatisfação da mãe (Tilda Swinton) é um tanto velada. O dentista de Justin muda. Sua amiga de colégio também. De uma hora para outra.
Enfim, este longa de estréia de Mike Mills vai juntando pequenos cacos cotidianos, com alguma relação entre si, sempre sutis e meio incompletos e oníricos, para tentar refletir este seu mérito e afirmar como talvez devêssemos nos portar e ajustar. Que talvez a geração mais jovem cresça um pouco melhor que a anterior. Que talvez a vida seja uma incógnita, e que mudar faça parte do mistério de descobrir a verdade sobre alguma coisa que nos apeteça. E que falta de pressa não é disfunção, pois o interessante é parar e pensar que é preciso cheirar e se agarrar às coisas do mundo para sentir que nele e em tanta perda e vazio existem algumas outras a mais.
(O fato de o filme dar muita voz à personagem menos interessante não é motivo para deixar de admirar tanta coisa boa que ele traz, até porque é um filme livre de todo tipo de droga que a sociedade tenta hoje imprimir como espécie de regra. Livre de coisas do naipe de As Invasões Bárbaras)
The Family Stone   
de Thomas Bezucha. Roteiro de Thomas Bezucha. Claire Danes, Diane Keaton, Rachel McAdams, Dermot Mulroney, Craig T. Nelson, Sarah Jessica Parker, Luke Wilson, Tyrone Giordano, Brian J. White, Elizabeth Reaser, Paul Schneider. 102 minutos. EUA, 2005.
Visto no Raposo Shopping 1, SP, Janeiro/2006
Thumbsucker 
de Mike Mills. Roteiro de Mike Mills, baseado em livro de Walter Kirn. Lou Taylor Pucci, Tilda Swinton, Vincent D'Onofrio, Vince Vaughn, Keanu Reeves, Benjamin Bratt, Kelli Garner, Chase Offerle. 96 minutos. EUA, 2005.
Visto no Frei Caneca Unibanco Arteplex 9, SP, Janeiro/2006
posted by tobey, an acer at 11:39 PM
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Quinta-feira, Janeiro 19, 2006
MELHORES FILMES DE 2005
A lista oficial só sai agora pois ainda precisava conhecer algumas coisas. Mas de umas semanas para cá ela continuou intacta. Só entraram na lista filmes com 4 ou 5 estrelas (notas de 8 a 10):
1 A Menina Santa, de Lucrecia Martel

2 Nossa Música, de Jean-Luc Godard
3 Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira
4 Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach
 
5 O Amigo de Minha Amiga, de Eric Rohmer
6 Desejo e Obsessão, de Claire Denis
7 Closer - Perto Demais, de Mike Nichols
 
8 Lila Diz, de Ziad Doueiri
9 Uma Garota Encantada, de Tommy O'Haver
10 Reis e Rainha, de Arnaud Desplechin
11 A Vida Marinha com Steve Zissou, de Wes Anderson
12 O Signo do Caos, de Rogério Sganzerla
13 Brown Bunny, de Vincent Gallo
14 Harmada, de Maurice Capovila
15 Exílios, de Tony Gatlif
16 Bom Dia, Noite, de Marco Bellocchio
17 Be Cool - O Outro Nome do Jogo, de F. Gary Gray
18 Vida de Menina, de Helena Solberg
posted by tobey, an acer at 1:11 PM
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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
ADEUS
Foi incrível.
posted by tobey, an acer at 2:21 AM
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