Sexta-feira, Março 31, 2006
DIA DE CASA BONITA
Não temos mais Hitchcock para fazer de um Quando um Estranho Chama uma obra-prima. A Simon West foi designada a função de refilmar Mensageiro da Morte, o original de 1977 (que eu desconheço). Wes Craven é um diretores a quem confiamos o trabalho de tirar água de pedra (a exemplo de Vôo Noturno, que é uma deliciosa variação de Pânico). Mas e daí?
Bem, temos também Camilla Belle, que chamou a atenção em O Mundo de Jack & Rose, de Rebecca Miller.
Filme de gênero, Supercine, não querendo ir além. Há alguns bons momentos de inspiração da câmera e nos diálogos revelando vontade do roteiro em traçados psicológicos de alguém mentalmente doente, e algumas perguntas sem resposta que ajudam a criar uma tentativa de algo mais. West, porém, não quer saber muito disso, nem de Hitckcock, e mantém a música presente durante quase todo percurso. Os planos são bem cuidados, nada originais, e ajudam a protagonista e a casa a segurarem a onda.
Aquela história de uma babá dentro de um casarão que é atormentada por telefonemas assustadores em noite de ventania ganha alguns contornos absurdos (a visita da amiga-vaca, mas que dá ponte, também, para uma ótima cena de celular realçando olhos azuis) e um vilão que continuamente faz jus ao título (o que deixou vários adolescentes ao final da sessão reclamando e xingando; alguns deles até vieram me perguntar se eu havia entendido o filme, solicitando várias explicações ao tio barbudo. Bizarro).
Algumas possibilidades de suspense poderiam ter sido criadas, talvez, caso um trio de personagens tivessem melhor cobertura na trama, mas uma outra boa sacada garante o amor do diretor pelos impulsos-distúrbios, velados, vingativos de sua heroína - como Breillat em Para Minha Irmã. E fechar semelhanças.
Gritos convincentes. É só um momento, pequena carga de tensão, eficaz conto sem respostas, diversão de sexta-feira em Shopping-Center. Direitinho o filme.
When a Stranger Calls  
de Simon West. Roteiro de Jake Wade Wall, baseado no original de Steve Feke e Fred Walton. Camilla Belle, Tommy Flanagan, Katie Cassidy, Tessa Thompson, Brian Geraghty, Clark Gregg, Derek de Lint, Kate Jennings Grant, David Denman, Arthur Young, Madeline Carroll. 87 minutos. EUA, 2006.
Visto no Cinemark Metrô Tatuapé 5, SP, Março/2006
posted by tobey, an acer at 6:41 PM
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Segunda-feira, Março 27, 2006
IMPRESSÃO DE QUE ALGUMAS COISAS...
Roma, um Nome de Mulher, 2004, de Adolfo Aristarain  
Filme-surpresa. Aristarain procura fugir de um convencional melodrama histórico focando as lentes no microcosmo da jornada; constrói o mundo exterior a partir das relações pausadas de entrosamento entre as personagens, nas conversas, no pequeno, no desabafo. Quando despretensioso. Centrando sua liberdade e abertura de pensamento no intimismo - realçado por uma luz triste, com a quase inexistência de música, filmado com precisão, movimentos de câmera e enquadramentos perfeitos, talvez. A simbiose alcançada é impressionante. É filme de gênero - escritores, aprendizes, biografia -, com seus possíveis atrativos imediatos (locações, direção de arte), realizado com afeto e melancolia. Abraça e abandona suas personagens com a mesma intensidade. Agora dá coragem de ver Lugares Comuns.
As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, 2005, de Andrew Adamson 
Há uma predileção por um encanto do passado, por uma concepção de mundo mágico mais discreta nos efeitos digitais, com personagens, com gente - a trilha-sonora, redondinha; o último corte, perfeito. Apesar do bom entrosamento do elenco e de sua simpatia, o roteiro é um desastre absoluto. Esquece que apresentar não é o mesmo que desenvolver. Suas crenças parecem baseadas no irracionalismo de direita e defendem que crianças devam vestir armaduras, lutar em guerras e matar supostos inimigos, a todo custo, para que reine a paz num mundo ao qual nem pertencem. Classificação indicativa: 10 anos. Milhões de crianças assistindo a um esquilinho bonitinho bradando: "mate-o, mate-o, mate-o!". É um filme assustador.
O Veneno da Madrugada, 2006, de Ruy Guerra
Há um desencontro grosseiro entre todos os elementos que o compõem. O rato é fofinho: a fotografia de Walter Carvalho (aquela de sempre) parece contrariar as intenções do diretor em passar ao espectador uma sensação de constante mal estar. Mesmo que isto não funcione também. Ruy Guerra adaptou Gabriel García Márquez, mas não o traduziu. Os diálogos não cabem na boca das personagens, mas isso é culpa dos atores também. A todo o momento escutamos ruídos e batidas graves afim de nos chamar a atenção para as partes "importantes" do roteiro; este mantém o espectador ainda mais distante (e distante é diferente de labiríntico) desse teatro mal filmado (um ou outro plano decente são raras exceções, que caem no vazio diante do resto). Insuportável.
O Homem-Urso, 2005, de Werner Herzog  
Bom documentário de Herzog que investiga a relação daquele homem com a natureza (mas não só: com a sua própria também). Thimothy Treadwell, por treze anos, dedicou a vida e a suposta paz de espírito aos ursos selvagens no Alasca. Morreu comido por um deles. A montagem dos vídeos feita pelo homem é certeira à medida que manipula o espectador para refletir sobre autenticidade e verdadeiras intenções. A dramatização quase excessiva talvez sirva para atentar ainda mais para o fato de que o "mundo é caos e hostilidade" e que Treadwell foi mais um que dançou essa música.
posted by tobey, an acer at 1:57 PM
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Terça-feira, Março 14, 2006
JUVENTUDE. BELEZA. PAISAGENS. PASSATEMPOS DESSE TIPO
Cry Wolf - O Jogo da Mentira está mais para rascunho de tese, mostra-se um pequeno examinador do social, da fascinação do público pelo horror e pelo sadismo, contrapondo um filme como Jogos Mortais, por exemplo, que pretende colocar o espectador como cúmplice e admirador de atrocidades expostas cruamente.
A obra em questão apresenta charme (também) por deixar clara sua noção ingênua de espetáculo inverossímil, melhor compreendida quando do entrar de um garotinho fantasiado em uma sala de um colégio - uma das seqüências mais interessantes.
Jeff Wadlow apresenta bons movimentos de câmera na concepção das cenas mais limpas de tensão e prefere utilizar-se da premissa para fazer suspense com intrigas e poucos sustos. Temos aqui brincadeirinhas e fofocas, protótipo de uma adolescência rica, fechada e entediada, utilizando para seu favor e proposta o estilo de microcosmos de alta sociedade ou mesmo o essencial cochicho de um programa de dia de semana à tarde destinado às donas de casa, apresentando o que acontecerá com as novelas e, no presente, com os artistas do momento.
Mesmo que Cry Wolf prefira o crescendo, o desenvolver mais calmo de situações e alguma discrição de artifícios (a exemplo de A Casa de Cera), há de se lamentar que as cenas de perseguição sejam desastres de harmonia entre planos, som e montagem.
Ecos prudentes da boa Hollywood de hoje, artesã, aquela que oferece melhor embalagem para clichês e que, possivelmente, acrescente algo sobre o chão em que pisa, porém, faz-se presente no desenrolar da trama. Nela, uma garota é assassinada logo de início. Jovens alunos de um colégio, após, que costumam passar o tempo brincando do tal jogo da mentira, resolvem mandar um e-mail para todo campus contendo descrição minuciosa de um imaginário assassino, suas vestimentas, seus atos, sua localização. Aí é que o jogo começa mesmo.
Não é um filme sobre culpa ou psicologia (e nem desenvolve profundamente qualquer outra coisa), mas um pequeno exercício sobre a fascinação por grandes temas que rodeiam a cultura adolescente atual e que o elenco simpático e ok ajuda a legitimar. Bon Jovi é exceção.
Cry Wolf 
de Jeff Wadlow. Roteiro de Beau Bauman e Jeff Wadlow. Julian Morris, Lindy Booth, Jared Padalecki, Jon Bon Jovi, Sandra McCoy, Kristy Wu, Jane Beard, Gary Cole, Jesse Janzen, Paul James, Ethan Cohn, Ashley Davis. 90 minutos. EUA, 2005.
Visto no Cinemark Metrô Santa Cruz 7, Março/2006.
posted by tobey, an acer at 10:56 AM
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Sexta-feira, Março 10, 2006
FILMES DE FEVEREIRO/2006
Entre vistos e revistos:
Eterno Amor (2004, Jean-Pierre Jeunet)
Munique (2005, Steven Spielberg)  
O Ano em que Vivemos em Perigo (1982, Peter Weir) 
Maldito Coração (2004, Asia Argento) 
Trem Mistério (1989, Jim Jarmusch) 
Profissão: Repórter (1975, Michelangelo Antonioni)  
O Segredo de Brokeback Mountain (2005, Ang Lee)   
Parceiros da Morte (1961, Sam Peckinpah)  
Como Era Verde Meu Vale (1941, John Ford)   
Juventude Transviada (1955, Nicholas Ray)    
Constantine (2005, Francis Lawrence) 
O Padre e a Moça (1965, Joaquim Pedro de Andrade)   
Dizem por Aí... (2005, Rob Reiner)  
Soy Cuba - O Mamute Siberiano (2005, Vicente Ferraz) 
Mamma Roma (1962, Pier Paolo Pasolini)   
Pai Patrão (1977, Paolo e Vittorio Taviani)    
Driblando o Destino (2002, Gurinder Chadha) 
Ghost Dog (1999, Jim Jarmusch) 
Com a Maldade na Alma (1964, Robert Aldrich)  
Domínio de Bárbaros (1947, John Ford)  
Medo que Condena (1953, Don Siegel)  
Fuga do Passado (1947, Jacques Tourneur)   
Demônio da Noite (1948, Alfred Werker, Anthony Mann)  
Desejo Humano (1954, Fritz Lang)   
Nascido para Matar (1947, Robert Wise)   
Punhos de Campeão (1949, Robert Wise)  
Dinheiro Maldito (1954, Don Siegel)  
Cinzas que Queimam (1952, Nicholas Ray)  
As Chaves de Casa (2004, Gianni Amelio)  
Ponto Final - Match Point (2005, Woody Allen)
Syriana - A Indústria do Petróleo (2005, Stephen Gaghan)  
Escuridão (2005, John Fawcet)
O Sol de Cada Manhã (2005, Gore Verbinski)
A Falecida (1965, Leon Hirszman)  
Opinião Pública (1967, Arnaldo Jabor) 
Filme Demência (1986, Carlos Reichenbach)   
Tabu (1982, Júlio Bressane) 
Wolf Creek - Viagem ao Inferno (2005, Greg McLean)
Johnny & June (2005, James Mangold)  
Sobre Pais e Filhos (2004, Josh Sternfeld) 
Memórias de uma Gueixa (2005, Rob Marshall)
Capote (2005, Bennett Miller) 
Feira das Vaidades (2004, Mira Nair)
O Mundo de Leland (2003, Matthew Ryan Hoge)
Coisa de Mulher (2005, Eliana Fonseca)
Cabra Marcado para Morrer (1985, Eduardo Coutinho)   
Penetras Bons de Bico (2005, David Dobkin)  
Kung-Fusão (2004, Stephen Chow)  
Quatro Amigas e um Jeans Viajante (2005, Ken Kwapis)   
Nove Vidas (2002, Andrew Green)
Loucuras de Verão (1973, George Lucas)  
Diário de uma Paixão (2004, Nick Cassavetes)  
posted by tobey, an acer at 10:21 AM
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Terça-feira, Março 07, 2006
O PRÓXIMO MELHOR FILME DA HISTÓRIA?
posted by tobey, an acer at 9:33 AM
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Segunda-feira, Março 06, 2006
É DISSO QUE EU ESTOU FALANDO:
Diversão!
posted by tobey, an acer at 1:44 AM
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Sábado, Março 04, 2006
A VIDA SUBMARINA
Ainda estou esperando alguma cerimônia do Oscar realmente divertida e que valha o sacrifício ou alguma confraternização que me permita cantar minha própria música sem que o efeito da cerveja me leve a uma noite de melancolia. Em 2006, prefiro assim:
atriz
Keira Knightley, por Orgulho e Preconceito/Reese Witherspoon, por Johnny & June
ator
Joaquin Phoenix, por Johnny & June/David Strathairn, por Boa Noite e Boa Sorte
ator coadjuvante
Jake Gyllenhaal, por O Segredo de Brokeback Mountain
atriz coadjuvante
Michelle Williams, por O Segredo de Brokeback Mountain/Catherine Keener, por Capote
diretor
Ang Lee, por O Segredo de Brokeback Mountain/George Clooney, por Boa Noite e Boa Sorte
filme
O Segredo de Brokeback Mountain
roteiro adaptado
O Segredo de Brokeback Mountain
roteiro original
Boa Noite e Boa Sorte/Syriana - A Indústria do Petróleo
Oscar é que nem Reveillon: melhor ver filme e pensar a solidão.
posted by tobey, an acer at 2:23 PM
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