THE BRIDGE

MELHORES DE 2006

  1. Crime Delicado
  2. O Segredo de Brokeback Mountain
  3. Caché
  4. Tudo em Família
  5. O Novo Mundo
  6. Aquamarine
  7. Árido Movie
  8. Retratos de Família
  9. Quando um Estranho Chama
  10. Roma, um Nome de Mulher
  11. As Chaves de Casa

PIORES DE 2006

  1. Araguaya - A Conspiração do Silêncio
  2. O Veneno da Madrugada
  3. Achados e Perdidos
  4. Depois Daquele Baile
  5. O Assassinato de Richard Nixon
  6. Sra. Henderson Apresenta
  7. Soldado Anônimo
  8. Memórias de uma Gueixa
  9. Meu Amor de Verão
  10. Violação de Domicílio
  11. Feira das Vaidades
  12. Fora de Rumo
  13. O Sol de Cada Manhã
  14. Escuridão
  15. Instinto Selvagem 2
  16. Crime Ferpeito


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Sábado, Abril 22, 2006
OS MITOS E OS MORTOS



Sereias não existem, certo? São mitos, criados, talvez, também, para ilustrar ou metaforizar certos elementos que nos são peculiares. O amor, teoricamente, existe. Talvez também para ilustrar ou metaforizar certos elementos (sentimentos) que nos são peculiares. Ou talvez seja mito. Certo?

Temos um casal de grandes amigas aqui, Hailey e Claire, que, a princípio, não acreditam em sereias. E temos a sereia, Aquamarine, que quer acreditar no amor, senti-lo e prová-lo para o pai. Viver sem amor, para Aqua, seria viver presa em um mundo ilógico e infeliz, forçadamente matrimonial.

A primeira inversão de chavão se dá após a fusão desses dois mundos. Para uma prova, de que precisamos de afeto, carinho e ombro, as duas amigas abrem mão de sua ingênua (mas nem tanto) percepção fugaz do amor para ajudar a nova companheira a buscar sentidos para suas noções de espanto, arrepios e crença pessoal.

A outra se impõe de forma mais simples e direta, auxiliando Sara Paxton, ótima comediante, com timing absurdo, e a excelente dupla central, na construção do humor, apresentando as três patricinhas mais feias da história recente da comédia adolescente hollywoodiana, com impressão de arroubos sentimentais e de um coração meio-mole, meio-pedra.

Aquamarine é a jornada juvenil pelo prazer e pelo sentido, afinal; é o caminho de lutas, decepções e momentos pequeninos de alegria pelo qual estamos fadados a percorrer, do pontapé até os momentos em que a idade e a vida começam a se impor, em formatos distintos, confusos.

É o primeiro longa de Elizabeth Allen, que demonstra alguma imaturidade em excessos de linguagem e na amarração de algumas seqüências, timidamente, porém, perto do resto, das soluções, ações e reações, algumas, desprovidas de lógica, que o filme cria, exatamente, atuantes como linha fantasiosa, de colocar a vida no palco, harmonizando o "real" e os efeitos imaginários que o constroem. Como a vida, emergindo, cheia de formas, mitos, amigos e outras pistas.

Aquamarine
de Elizabeth Allen. Roteiro de John Quaintance e Jessica Bendinger, baseado em livro de Alice Hoffman. Emma Roberts, Joanna 'JoJo' Levesque, Sara Paxton, Jake McDorman, Arielle Kebbel, Claudia Karvan, Bruce Spence. 109 minutos. EUA, 2006.

Visto no Raposo Shopping 7, SP, Abril/2006.

Links: Sabadin, Omelete, IMDb (entre os 100 piores filmes de todos os tempos), Rotten Tomatoes (57% de aprovação).



posted by tobey, an acer at 2:21 PM

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Segunda-feira, Abril 17, 2006
O MESMO, À QUENTE

Meu Melhor Amigo (Because of Winn-Dixie), 2005, de Wayne Wang




Wayne Wang está aí, parecendo que ninguém o vê. Temos aqui, em uma cidadezinha do interior, EUA, um grupo de seres desajustados, outsiders de uma colorida sociedade sufocante, reféns de passados mal resolvidos, verdadeiros fantasmas quotidianos. Como um nada na vida sem explicação, um vulto mistério, após batizado Winn-Dixie, cachorro sem dono, fará com que todos experimentem, literalmente, a bala da doçura e da melancolia, para que o confronto com o que está e já foi se faça finalmente e os presenteie com a liberdade de espírito e de expressão, frente a um mundo sombrio e que se apresenta pequeno demais para todos. Com o olhar humanista que é de seu feitio, Wang subverte e areja o conto infantil contrabandeando ideais esquerdistas, atacando incisivamente a sociedade conservadora e sua guerra contra o bom senso regida por George W. Bush. E filma que é de chorar.



Cannibal Holocaust, 1980, de Ruggero Deodato

Funciona mais como conceito. Aproximar os seres humanos, brancos, ocidentais, civilizados, do primitivismo dos índios, canibais, atrasados, assassinos, tudo entre aspas, traçando linhas no chão, como se a animalidade fosse inerente a ambos, ou como um painel da decadência de uma sociedade que chove no molhado, que envelhece na própria fórmula de rejuvenescer. Ou como uma metáfora da falência das idéias nazistas, como o próprio título adverte. O terror, com suas cenas explícitas e chocantes, funciona pouco, talvez pelo ritmo, apesar da ótima trilha e de boas soluções de corte e ironia.



posted by tobey, an acer at 12:25 PM

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Quarta-feira, Abril 12, 2006
ESSE MUNDO SENTIDO POR HOWARD SHORE



As coisas do mundo, como elas mesmas de fato, azedam em Marcas da Violência. A típica família, para início, aparenta o sonho do qual ainda não acordou. A solução pacifista, a do diálogo, a solução, parece não representar o fim da intolerância para Jack, o filho. Tom e Edie, casal, regridem, determinando o contrário, metaforizando o rumo ao fim do relacionamento com um fetiche adolescente agregado ao íntimo. Meia-idade; juventude; o princípio, o nada, por fim.

Um plano magnífico pega Tom, repleto de sangue e vísceras, originárias enfurecidas do homem que acaba de ser morto por Jack. Que relação é aquela de pai e filho, de sangue, como um pacto genético, de um para o outro, silenciosamente? Que mundo incerto e obscuro, onde só parece enquadrar-se os ajustes em um histórico de violência?

A família, mesmo que inconscientemente, tenta preservar valores perdidos, assim como os chefes da vila no filme de Shyamalan, recebendo a vida tomando-os de assalto, como cataclisma. Marcas da Violência funciona como síntese do cinema de David Cronenberg, alinhando sua mise en scène ao contestamento de valores e ao contato do público com o que nela vê desmontar.

Diz um vilão, a certa altura, que sonho americano não existe. A seqüência final simpatiza, transgressora, comendo quieta, como toda obra de seu realizador.

A History of Violence
de David Cronenberg. Roteiro de Josh Olson, baseado em graphic novel de John Wagner e Vince Locke. Música de Howard Shore. Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt, Ashton Holmes, Peter MacNeill, Stephen McHattie, Greg Bryk, Sumela Kay, Kyle Schmid, Deborah Drakeford, Gerry Quigley, Heidi Hayes, Aidan Devine. 96 minutos. EUA, 2005.

Revisto - graças aos bons deuses - no CineSESC, SP, Abril/2006



posted by tobey, an acer at 1:08 AM

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Sexta-feira, Abril 07, 2006
FILMES DE MARÇO/2006

Entre vistos e revistos:

E a Festa Acabou (1979, Bill L. Norton)
Aeon Flux (2005, Karyn Kusama)
Fora de Rumo (2005, Mikael Håfström)
Arte, Amor e Ilusão (2003, Neil LaBute)
Sujou... Chegaram os Bears (2005, Richard Linklater)
Sra. Henderson Apresenta (2005, Stephen Frears)
Violência e Paixão (1974, Luchino Visconti)
Assassinato no Expresso Oriente (1974, Sidney Lumet)
O Virgem de 40 Anos (2005, Judd Apatow)
Ritmo de um Sonho (2005, Craig Brewer)
Mentiras Sinceras (2005, Julian Fellowes)
Scanners - Sua Mente Pode Destruir (1981, David Cronenberg)
Violação de Conduta (2003, John McTiernan)
O Galinho Chicken Little (2005, Mark Dindal)
Os Irmãos Grimm (2005, Terry Gilliam)
Cry Wolf - O Jogo da Mentira (2005, Jeff Wadlow)
Três Estações (1999, Tony Bui)
Um Herói do Nosso Tempo (2005, Radu Mihaileanu)
Depois Daquele Baile (2005, Roberto Bomtempo)
Notícias de uma Guerra Particular (1999, Kátia Lund/João Moreira Salles)
Santa Marta - Duas Semanas no Morro (1987, Eduardo Coutinho)
Iracema - Uma Transa Amazônica (1976, Jorge Bodanzky/Orlando Senna)
Cortina Rasgada (1966, Alfred Hitchcock)
Todo Mundo em Pânico 3 (2003, David Zucker)
Garfield - O Filme (2004, Peter Hewitt)
Lua de Papel (1973, Peter Bogdanovich)
Roma, um Nome de Mulher (2004, Adolfo Aristarain)
O Veneno da Madrugada (2004, Ruy Guerra)
As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005, Andrew Adamson)
O Diamante Branco (2004, Werner Herzog)
O Homem-Urso (2005, Werner Herzog)
Spartacus (1960, Stanley Kubrick)
Garota da Vitrine (2005, Anand Tucker)
Belíssima (1951, Luchino Visconti)
Zorba, o Grego (1964, Michael Cacoyannis)
Infiel (2000, Liv Ullmann)
Trem da Vida (1998, Radu Mihaileanu)
Frenesi (1972, Alfred Hitchcock)
Os Bons Companheiros (1990, Martin Scorsese)
Glória Feita de Sangue (1957, Stanley Kubrick)
O Terceiro Tiro (1955, Alfred Hitchcock)
Não É Você, Sou Eu (2004, Juan Taratuto)
O Homem Errado (1956, Alfred Hitchcock)
Quando um Estranho Chama (2006, Simon West)
Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado (2004, Banjong Pisanthanakun/Parkpoom Wongpoom)
As 1001 Vidas de Lia Rodrigues (2006, Luli Barzman)



posted by tobey, an acer at 12:46 AM

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Quarta-feira, Abril 05, 2006
FOTOGRAFIA, FOTOLOGIA

A Máquina, 2005, de João Falcão

A questão aqui não é achar um modo de prolongar uma boa idéia, mas sim encontrar uma forma nova de contar o velho. Em alguns de seus atrevimentos o filme é muito feliz: Mariana Ximenes cantarolando e pulando como em um livro de conto de fadas; uma encenação videoclíptica ao redor de uma televisão exibindo... um videoclipe (a montagem acelerada contextualizando perfeitamente todas idéias e elementos); uma ótima introdução de personagens, com planos conjuntos, narração, visíveis cenários e fotografia perfeita (ok, não falo mais mal de Walter Carvalho assim, de sopetão). Mas o plot do filme parece não encontrar rumo em meio a tantas formas de arte expressas de maneira tão chapada e apaixonada. As situações fantásticas propostas pelo roteiro não ganham credibilidade porque se tem a impressão de que as personagens tornaram-se reféns de seus próprios conceitos. Temos prova de amor e máquina do tempo, mas faltou gente no lugar dos bonecos. Filme de talento, sim.

Os Desajustados, 1961, de John Huston

Sempre defendi Marilyn Monroe, mas há uma visível luta interna da atriz neste filme. Ela não atua, parece que o que vemos é um esforço para encontrar o timing correto das situações. Os quadros de Huston e o conjunto de alguns deles, no geral, parecem estar à margem das personagens e de seus desequilíbrios frente ao mundo novo. Ao lado de Monroe, o filme batalha para encontrar respostas por linhas tortas, a sensibilidade pelo bruto. É um desafio e tanto, esse desconforto constante almejado, afim de retratar o fim do velho Oeste. O bom roteiro de Arthur Miller descaracteriza o glamour, mas sua concepção é desarmônica (e não funciona a favor do filme). A metáfora (pela metáfora) no último ato, ao menos, é belíssima.

Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado, 2004, de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom

Um cobertor, algo na frente do pára-brisa, uma que dorme, a foto e a mão. Sessão maravilhosa: platéia cheia, junta, arrepios, gritos; o coletivo da experiência do cinema. O roteiro é bem frágil ao optar por clichês sem qualquer pudor ou ambição, mas penso que alguns dos prazeres do gênero estejam presentes aqui. Quatro ou cinco sustos muito bem pregados, de uma engenhosidade ímpar, para assustar MESMO, e um alívio cômico para chorar de rir, MESMO. O desfecho, também inusitado, trabalha o suspense psicológico. Boas saídas para que o resto seja esquecido e o ingresso pago, em cada centavo.



posted by tobey, an acer at 1:23 AM

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A ponte entre o cinema e a vida.