Segunda-feira, Novembro 20, 2006
FILMES DE OUTUBRO/2006
Antes da Mostra; entre vistos e revistos:
O Tiro Certo (1966, Monte Hellman)    
Maldição (2005, Courtney Solomon)
Casseta e Planeta - Seus Problemas Acabaram!!! (2006, José Lavigne)
Um Passaporte Húngaro (2002, Sandra Kogut)  
Zuzu Angel (2006, Sérgio Rezende) 
Vôo United 93 (2006, Paul Greengrass) 
Dália Negra (2006, Brian De Palma)  
Amantes Constantes (2005, Philippe Garrel)  
Muderball - Paixão e Glória (2005, Henry Alex Rubin / Dana Adam Shapiro)  
Ela É o Cara (2006, Andy Fickman)  
Miami Vice (2006, Michael Mann)  
A Oitava Cor do Arco-Íris (2004, Amauri Tangará)
Fonte da Vida (2006, Darren Aronofsky)
Decálogo 3 (1988, Krzysztof Kieslowski)  
Decálogo 4 (1988, Krzysztof Kieslowski)  
Decálogo 5 (1988, Krzysztof Kieslowski)  
Decálogo 6 (1988, Krzysztof Kieslowski)  
Decálogo 7 (1988, Krzysztof Kieslowski)  
Decálogo 8 (1988, Krzysztof Kieslowski)  
O Crocodilo (2006, Nanni Moretti)   
O Desenlace (2005, Juan Pinzás)
Decálogo 9 (1988, Krzysztof Kieslowski)   
Decálogo 10 (1989, Krzysztof Kieslowski)  
The Wind that Shakes the Barley (2006, Ken Loach) 
Serras da Desordem (2006, Andrea Tonacci)   
posted by tobey, an acer at 10:32 PM
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Sábado, Novembro 18, 2006
30a. MOSTRA - 6 (e último)
Mesmo ainda de ressaca pós-Mostra, a correria continua. Por isso, comentários ainda menores dos últimos, incluindo repescagem, e do primeiro, que eu havia esquecido de comentar:
Proibido Proibir   
de Jorge Durán. Brasil / Chile, 2006.
Afetuoso e surpreendente registro do desencanto e da não-imunidade frente às desigualdades e da agregação do social ao cotidiano de jovens universitários. Elenco, música, senso global - tudo muito bom.
Eu Não Quero Dormir Sozinho (Hei yan quan)  
de Tsai Ming-Liang. Taiwan / França / Áustria, 2006.
Nada a dizer, pois foi uma sessão ruim, devido ao sono. Talvez isso explique certa decepção e sensação de repetição.
A China Está Próxima (La Cina è vicina)   
de Marco Bellocchio. Itália, 1967.
Quase uma ópera (ou antiópera) de fluidez cênica e de montagem, orquestrada para oferecer leituras múltiplas acerca de uma idéia e um elogio ao questionamento do dito "certo".
Histórias Tenebrosas (Unheimliche Geschichten)  
de Richard Oswald. Alemanha, 1919.
A idéia do sebo já anuncia o cuidado do filme na relação do espaço cênico ao gênero, legitimado ainda pelos três atores muito bons e suas referências diretas.
Juventude em Marcha   
de Pedro Costa. Portugal / França / Suíça, 2006.
O formato fechado, da janela aos planos, do espaço aos atores, do tempo à memória, da falta de luz ao delírio constante pela busca por um conjunto que nunca vem. E, aos filhos, a sombra, do pai.
The Bridge
de Eric Steel. EUA, 2006.
A montagem que entrecruza diversos depoimentos é o suspense criado para a descoberta do caráter desse filme, pobre e sensacionalista.
Bandidos de Milão (Banditi a Milano)  
de Carlos Lizzani. Itália, 1968.
Bom thriller de ação com destaque para a cena de perseguição (que mesmo com falhas de continuidade funciona muito bem) e para o sempre prazeroso Gian Maria Volontè.
Os Subversivos (I Sovversivi)  
de Paolo Taviani / Vittorio Taviani. Itália, 1967.
Outro talvez muito prejudicado pelo sono. Confesso que já esqueci boa parte.
Fica Comigo (Be with Me)
de Eric Khoo. Cingapura, 2004.
O que, no início, funcionava, pela colagem do senso comum às estórias, acabou virando um enorme panfleto de auto-ajuda, desprezando todos os elementos ao redor desse bem maior, materializado pela personagem cega-surda e pelas legendas "em off". Completamente insuportável.
Notícias do Lar / Notícias de Casa (News from Home / News from House)
 
de Amos Gitai. Israel / França / Bélgica, 2005.
O documentário é um olhar que tenta compreender a função da memória nos dias de hoje para, através dele, buscar um registro interior de povos e seus conflitos
Os Estados Unidos contra John Lennon (The U.S. vs. John Lennon)
 
de David Leaf / John Scheinfeld. EUA, 2006.
Material forte de John e Yoko, sua campanha pelo fim da guerra do Vietnã e pela paz mundial, em território estadunidense. O formato convencional não é demérito.
Os melhores, em Top 10:
1 - Síndromes e um Século
2 - Mundo Novo
3 - Mary
4 - Hamaca Paraguaya
5 - Still Life
6 - Anche Libero Va Bene
7 - Juventude em Marcha
8 - Half Nelson
9 - Proibido Proibir
10 - Conversas no Porto
Menções honrosas (participaram da Mostra, mas assisti em outra ocasião):
- A Comédia do Poder (Claude Chabrol) e O Crocodilo (Nanni Moretti)
posted by tobey, an acer at 12:16 PM
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Quinta-feira, Novembro 09, 2006
30a. MOSTRA - 5
Still Life (Sanxia haoren)   
de Jia Zhang-Ke. China / Hong Kong, 2006.
"Eu não consigo achar minhas coisas antigas", presenciamos. Em Han, um trabalhador em minas de carvão, e Shen, enfermeira, identifica-se a metáfora para um profundo deslocamento, a perda generalizada da identidade de um povo à deriva dos novos valores. Vagando, à procura do resgate, de um passado que, distante, tão perto, parece nunca deixar de desacreditar. Jia Zhang-Ke é extremamente delicado ao narrar com objetos e chaves surrealistas e trata a linguagem das pequenas histórias como etapas, de valor universal, inseparáveis, de um desencanto particular. A construção (real) da barragem hidroelétrica, a pretensão do maior em detrimento ao olhar pelo pequeno, essencial, inconsolável, debaixo, em constante desconstrução.
O Violino (El Violin)
de Francisco Vargas. México, 2006.
O diretor parece entrar em contradição. A estória de humildes fazendeiros e músicos em luta contra o autoritarismo de um governo militar é retratada com olhar piedoso, desde o tratamento dos atores-peças-principais até os diálogos. A fotografia em preto e branco e certo contraste entre silêncios e tensões destoam da frieza melodramática e das saídas previsíveis do roteiro. Estranho notar também que os militares sejam menos estereotipados que os próprios guerrilheiros. Sinto-me mal em falar mal do filme, que é repleto de boas intenções.
Síndromes e um Século (Sang sattawat)    
de Apichatpong Weerasethakul. Tailândia / França / Áustria, 2006.
A ambição das boas intenções no cinema, de apreender um pouco mais do que um só lado das coisas pode compreender, como um dever pelo qual um cineasta vaga em respeito à pluralidade de coisas e do que brotam das mesmas. Hoje em dia temos multiplot, três histórias, em paralelo, episódicas, como um elogio (ao menos na intenção) ao que costumamos chamar de mais. E temos Apichatpong Weerasethakul. Ao que parece, que, procura ampliar. Sempre ao refazer, ao repensar, ao reavaliar, ao questionar, ao duelar com os três lados das coisas, como os três finais de Síndromes e um Século. Os dois lados de uma mesma moeda, que hoje, parecem, em progressivo distanciamento. Vemos no filme um olhar agudo à crítica, ao olhar preparado. Não, não a crítica de cinema. Mas mesmo o progresso, que leva diferentes meios a diferentes fins e a diferentes pessoas de formas diferentes, pode não levar ao embaraço? Parece que a inocência se perdeu; distanciou-se, amedrontou-se. Parece que o medo não se esconde, anda em bando, de uniforme. Parece que a guerra é infinita, ou que também será absorvida. Ou, branca, não de paz, virará outro hospital. Parece, que a nostalgia não se vai. Mas parece que lampejos de um ímpeto ainda crescem. Parece que há gente dançando, em algum lugar por aqui.
Paris, Te Amo (Paris, je t'aime)
de Olivier Assayas / Frédéric Auburtin / Gérard Depardieu / Gurinder Chadha / Sylvain Chomet / Joel e Ethan Coen / Isabel Coixet / Wes Craven / Alfonso Cuaron / Christopher Doyle / Richard LaGravenese / Vincenzo Natali / Alexander Payne / Walter Salles. França, 2006.
Para não dizer que achei todos muito ruins, destaco os episódios de Olivier Assayas, Sylvain Chomet, Gérard Depardieu e a bela surpresa preparada por Alexander Payne. Não há diálogo, nem intencional, nem inconsciente, entre os filmes, e em muitos deles tive a impressão de pressa e indefinição. Não lembro de quase nenhum (para escrever), confesso, mas, para gargalhar, há a continuação de Corra Lola, Corra, rabiscada, em um atalho, por Tom Tykwer.
Dia Noite Dia Noite (Day Night Day Night) 
de Julia Loktev. EUA, 2006.
Uma menina, em seu último dia, em preparação para ser mulher-bomba em Nova York. Americana, ao que parece, conversa, com ela mesma, com esse alguém misterioso - ele, o motivo, talvez, de sua atitude. A voz opressora, e a vestimenta dos homens que a preparam, talvez seja o primeiro indício que sugira imobilidade, influência e ameaça. A frieza e impessoalidade são bem trabalhadas na montagem e no som dos objetos e das ações. O filme é bastante forte nisso tudo, mas peca pela exposição em demasia dos conflitos de insegurança da protagonista.
Electroma
de Guy Manuel de Homem Christo / Thomas Bangalter. Inglaterra, 2006.
O maior videoclipe do mundo.
O Sol (Solntse)  
de Aleksandr Sokúrov. Rússia / Itália / França / Suíça, 2005.
Bom trabalho de Sokúrov, versando sobre preservação de valores e igualdade entre os homens, que já abre com uma sucessão de belíssimas fusões. A fotografia, novamente um quadro traçando perspectivas de mundo, amplia sua beleza em uma fantástica cena de batalha com mísseis. Issey Ogata é soberbo com seus tiques, certa embriaguez e sinal de desonra. E a surpresa dos momentos refinados de humor. Com chocolates.
Dong 
de Jia Zhang-Ke. China, 2006.
Documentário complementar a Still Life, mostra o pintor Liu Xiaodong visitando a mesma região do longa de ficção para realização de obras e convivendo com os operários que ali destroem para a construção. As imagens do cotidiano carregam tristeza e a câmera realiza uma boa observação do quadro geral. Achei um pouco cansativo, mas não deixa de ter seu encanto.
posted by tobey, an acer at 1:17 AM
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Domingo, Novembro 05, 2006
30a. MOSTRA - 4
Mundo Novo (Nuovomondo)    
de Emanuele Crialese. França / Itália, 2006.
Emanuele Crialese, em Respiro, havia montado um abrangente painel de seres à procura de sua totalidade em meio à intolerância e hostilidade comuns a uma sociedade patriarcal e injusta. Idéias que permanecem neste seu terceiro longa, mas que se impõem em uma lógica radical de estetização simbólica e da poética da imagem enquanto rica comunicadora de sentimentos diversos comuns a um dado momento histórico, e que se estende como chave de compreensão da mecânica do processo de desilusão e busca inerente ao nado constante pela pureza. O trabalho do diretor em criar universalidade é preciso tanto no som (passos, objetos, ventos, música) quanto no surrealismo como crença na imagem infinita - para dizer pouco. O filme questiona a todo o momento os conceitos de modernidade, sociedade, estabelecendo o caos e pluralidade como conseqüência direta de uma teia extensa de fatores e relações determinantes dos pré-conceitos e reações de cada um frente às percepções do que é ou deixar de ser.
Hamaca Paraguaya    
de Paz Encina. França / Argentina / Holanda / Paraguai, 2006.
O tempo é a espera pela esperança e o constante retardo do fim. Essas duas frentes, coladas, parecem, no filme, os dois relógios que determinam nascimento e morte, que determinam as duas únicas certezas da vida. A vida que, para aquele casal, à espera da chuva (de Deus, da intervenção), à espera do filho, que não volta nunca, parece esfacelar-se constantemente, com a perda constante dos sentidos (não há mais diálogos, apenas o que resta do espírito) e a luta permanentemente inútil pela memória. O que vemos ou sentimos em Hamaca Paraguaya são 80 e poucos minutos, quatro ou cinco planos, dois ou três seres vivos, ou quase nenhum, desmoronando e destruindo, pouco a pouco, os elementos, desde o início, em estado de decomposição. Hamaca Paraguaya não é só o retrato de um assombro, mas, principalmente, a radicalização de um diálogo preciso e incomum do sentimento com os artifícios do ofício - definidores do conceito, complementares, inseparáveis.
De Punhos Cerrados (I Pugni in tasca)  
de Marco Bellocchio. Itália, 1965.
Longa de estréia de Bellocchio é um interessante retrato íntimo de um mal-estar generalizado, de um certo sentimento anárquico inerente, através de um primeiro olhar, à sociedade da época. O que parece ser uma doença hereditária a assolar aquela família acaba ligado, diretamente, às incertezas e aos caminhos indefinidos rumo à morte ideológica, moral, física e espiritual. A cerimônia ganha ritmo tétrico também pela montagem e decupagem em constante perturbação.
Belle Toujours - Sempre Bela (Belle Toujours)   (talvez  )
de Manoel de Oliveira. Portugal / França, 2006.
A segunda grande pedrada do ano. Não entendi nada do filme, honestamente. A orquestra de abertura, agora me vem, parece apresentar uma grande homenagem. A que, a quem? Às mulheres, em sua constante magnitude de nos parecer um mistério, livres, belas? A Buñuel, com as estátuas, o galo e a caixa? Ao gênero, retratando em segundo ato um reencontro? O que é Belle Toujours e, aliás, o que é um Manoel de Oliveira sem qualquer prenúncio de questionamentos e observação a qualquer sentimento torcido ou puro? Eu prefiro achar que não é um filme tão simples assim. E que o fato de ele ser simples também não seja demérito algum. Então, acho que prefiro continuar não entendendo, até entendê-lo. Decepção não deixa de ser.
Conversas no Porto. Manoel de Oliveira e Agustina Bessa-Luís. Dezembro 2005 (Conversazione a Porto)   
de Daniele Segre. Itália, 2006.
A Mostra parecia definitivamente ter se encerrado após Belle Toujours; porém, na seqüência, veio esse documentário de estrutura bastante simples e material riquíssimo e em constante movimento, incompleto, em construção. O diretor reuniu Oliveira e Bessa-Luís, esta, escritora que teve algumas de suas obras adaptadas para o cinema pelo nosso mestre. Os dois discordam e sempre dialogam sobre assuntos diversos, como os limites das artes, melancolia portuguesa, Brasil, documentário e ficção, entre memórias, afinidades e sabedorias. Delícia.
Antonia  
de Tata Amaral. Brasil, 2006.
Tata Amaral completa sua trilogia sobre arquétipos femininos (como ela mesma define). O trabalho com os planos procura ao máximo observar as sutilezas de amizade cotidianas entre as meninas e as escolhas da direção de atores. Os resultados são bons, mesmo que o filme, curto, guarde um certo excesso de pureza estética (ainda que seja um método honesto para ir fundo aos temas). Um dos grandes trunfos é mesmo o roteiro, fazendo escolhas certeiras na ordenação das ações para esboçar sua moral e dramatizar sua protagonista. (E os momentos com Thaíde são ótimos). Não gosto como a diretora insere as músicas nos momentos de tensão, deslocando estes do restante. Com altos e baixos, Antonia toca em temas sempre presentes ou não nas atuais produções de cunho social do Brasil, preservando e mesclando a incerteza e a esperança. E belas as meninas.
Shakespeare Mudo  
de Percy Stow / Charles Kent / Gerolamo lo Savio / William Kennedy / Laurie Dickson / Gerolamo lo Savio / F. R. Benson / J. Stuart Blackton / Charles Kent. Inglaterra / Itália / EUA, 1899 - 1911.
Cheguei atrasado e perdi os dois primeiros, Rei João e A Tempestade. Trata-se de uma compilação de curtas produzidos entre 1899 e 1911 adaptados de Shakespeare. A importância histórica é alimentada pela colorização de alguns deles, pintados diretamente na película. O destaque ficou para o divertido Sonho de uma Noite de Verão e Noite de Reis. Vale pelo interesse e apreço aos filmes mudos.
Acidente 
de Cao Guimarães / Pablo Lobato. Brasil, 2006.
Vinte cidades são visitadas pelos diretores. O filme abdica de um sentido mais prático e corriqueiro de revelar o cotidiano ao escolher, em cada uma, um único momento em meio a outros, um acontecimento revelado à câmera talvez por acidente (o que seria a "sorte" de um documentarista), com o intuito de legitimar a imagem como testemunha da história e a história como testemunha de pequenos feitos, grandes ou pequenos. O filme é pautado por um clima de mistério preservado, uma gama de sentimentos diversos, distintos ou não. Mesmo por seu talento e beleza inegáveis, o conjunto é um tanto cansativo.
posted by tobey, an acer at 3:21 PM
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