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Sábado, Dezembro 23, 2006
BEM-VINDO À CASA DE BONECAS



As boas intenções são claras durante partes de Maria Antonieta. Ao final, porém, fica a suposição, de que as preocupações (ou obsessões, talvez melhor dizendo) em traçar paralelismos entre séculos ontem e o hoje através da coordenação de um filme de época, transcorrido em meados de 1770, com elementos da cultura pop de 1980 até hoje (evidentes, no caso da música, ou surpresas, em se tratando do All Star) e estratégias políticas semelhantes co-existem não só para humanizar a protagonista; existem para apresentar um ser humano tomado e regido pelo meio em que vive (curto e grosseiramente falando).

É fácil, um tanto quanto impróprio, dizer que Sofia Coppola fez filme sobre uma pobre menina rica, porque o colorido e toda parte estética de concepção imagética e tonal nele submetida (o desprendimento do hiper realismo, a montagem que remete aos filmes comerciais adolescentes ou de comédia, acima de tudo) reflete, ao mesmo tempo, a liberdade com que a diretora aborda os momentos "festeiros" de Antonieta (os melhores momentos isolados), e também a insegurança em inseri-los em uma narrativa, em fazê-los sobreviver em um coletivo, que é o filme.

O que é Maria Antonieta ou quem foi Maria Antonieta são as questões. O grande problema do longa, ao que pude reter, para além de querer retratar um período muito grande em apenas duas horas de filme, com todos os momentos passando e não se firmando, é a falta de clareza na abordagem da protagonista. Noventa e cinco por cento das cenas (creio), mostrando a garota rodeada por outras pessoas - o que poderia sugerir uma opção da diretora em querer nos entregar uma visão de fora, de espectador, parcial; logo, um tanto quanto injusta - são bruscamente cortadas por planos íntimos, poucos, soltos, fortemente pretensiosos (não no mau sentido de intenção) e nebulosos, exteriorizadores de um tipo de sentimento comum ao momento àquele (como Antonieta em primeiro plano e câmera na mão, caindo de choros pela porta; ou em seu contato com a filha e a natureza).

Fica, por fim, mais uma questão (do outro mundo), do por que de Sofia Coppola construir alguns planos tão feios, como atores em cena, falando, e cortados ao meio, sendo que metade do mesmo quadro sequer é preenchido. Fica o gosto de um filme de idéias, a construir.

Marie Antoinette
de Sofia Coppola. Roteiro de Sofia Coppola. Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Rip Torn, Molly Shannon, Judy Davis, Steve Coogan, Asia Argento, Marianne Faithful, Aurore Clement, Shirley Henderson, Danny Huston. 123 minutos. Japão / França / EUA, 2006.

Visto no Cine Olido, SP, Dezembro / 2006



posted by tobey, an acer at 6:40 PM

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Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
O RETORNO DE UM VOCÁBULO

Pulse
de Jim Sonzero. EUA, 2006.

Além de ter Ian Somerhalder e manter um caráter apocalíptico à procura de algo sólido, é um filme com boa elucidação de soluções para lidar com vícios de um gênero. Porque desde a primeira cena percebemos que o roteiro (co-escrito por Wes Craven) não busca fugir de alguns lugares comuns do terror. Acompanhar a protagonista (Kristen Bell), como uma saga, com carinho, e rodeá-la de uma seleta de coadjuvantes (apresentados num tempo corrente, natural) parece, a princípio, funcionar, em meio ao caos de querer apressar todos os conflitos, todo suspense, talvez na tentativa de segurar a platéia, confiando pouco no material bruto - que é muito bom. Outro respiro seria usar o objeto, o celular, o computador, como um paralelo às formas de comunicação modernas e do desencontro entre o criar e o destruir, criador sendo criatura (tem a cena da garota acordando, de madrugada, com a mensagem da amiga). E há ainda uma cena-relâmpago, de segundos, que parece exibir uma bem-vinda agressividade (música, câmera) como suporte para o sentimento de desespero de uma das personagens e como possível brincadeira com elementos de como contar uma mesma história, quebrando e construindo o próprio filme, constantemente (garoto colando fita isolante em tudo o quanto é parede, colocada como corte abrupto de tensão). Os filtros azuis não dizem nada, porque os fantasmas (que aparecem, desaparecem, com frenesi, aos moldes de A Casa da Colina) acabam soterrados por sua própria estrutura. Pelo diretor, que não discorre nunca.



posted by tobey, an acer at 12:49 AM

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Domingo, Dezembro 10, 2006
FILMES DE NOVEMBRO/2006

Mês agitado. Compromissos e falta de tempo, computador ruim. E Altman.

Depois da Mostra; entre vistos e revistos:

O Diabo Veste Prada (2006, David Frankel)
Pintar ou Fazer Amor (2005, Arnaud Larrieu / Jean-Marie Larrieu)
Pequena Miss Sunshine (2006, Jonathan Dayton / Valerie Faris)
Volver (2006, Pedro Almodóvar)
Memórias de um Assassino (2003, Bong Joon-ho)
Chiwaseon (2002, Im Kwon-taek)
Conto de Primavera (1990, Eric Rohmer)
A Última Noite (2006, Robert Altman)
Conto de Verão (1996, Eric Rohmer)
Paixão sem Limites (2005, David Mackenzie)
Amigas com Dinheiro (2006, Nicole Holofcener)
Conto de Outono (1998, Eric Rohmer)
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006, Cao Hamburger)
Conto de Inverno (1992, Eric Rohmer)
Uma Verdade Inconveniente (2006, Davis Guggenheim)
Incuráveis (2005, Gustavo Acioli)
Jenifer - Instinto Assassino (2005, Dario Argento)
Os Infiltrados (2006, Martin Scorsese)
O Guardião (2006, Rodrigo Moreno)
Estamira (2004, Marcos Prado)
Gangues do Gueto (2001, Abel Ferrara)
À Margem do Concreto (2005, Evaldo Mocarzel)
Caminho para Guantánamo (2006, Michael Winterbottom / Mat Whitecross)
O Céu de Suely (2006, Karim Aïnouz)
O Grande Truque (2006, Christopher Nolan)
O Pacto (2006, Renny Harlin)


1925 - 2006



posted by tobey, an acer at 5:19 PM

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Sexta-feira, Dezembro 01, 2006
O NOVO E O MUNDO



Domingo, 03/12, 21 horas, no Cine Bombril 1. De graça. Obra-prima.



posted by tobey, an acer at 12:20 AM

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A ponte entre o cinema e a vida.