Domingo, Janeiro 28, 2007
A INTEGRIDADE DE CADA UM
Tony Scott dirige um filme sobre motivações e batalhas pessoais, casa a técnica ao conteúdo. O embate maior, entre um terrorista sedento de justiça, sob égide do patriotismo, e um policial solitário e sua busca calada por companhia e calor humano, é trabalhado pela ótica do individualismo e da frieza modernos. A New Orleans de Déjà Vu (e, por extensão, todos os EUA) é tomada por fantasmas, por sorrisos fugazes e pelo medo do futuro, do desconhecido. Concreto, ao que parece, apenas um passado distante, triste. Memória.
Para tudo isto, as obsessões do diretor são, aqui, cabíveis e bem medidas: cores estonadas, movimentos de câmera horizontais e planos gerais-aéreos, câmera lenta. A montagem faz uso inteligente dos vários ângulos, servindo à desconfiança do protagonista e à paranóia generalizada; também como dos planos individuais de cada personagem (principalmente das cenas passadas dentro da sala do programa do governo), qualidade admirável desse filme, que dão espaço para o ator e o espectador desenvolverem. Destaque para um excelente Jim Caviezel, de um elenco bastante afiado.
Em Déjà Vu há sensação plena de construção, de narrativa (o senso de ritmo da aventura acentuado também pela ótima trilha), de amigos, de frutos, de elementos complementares. Sinto falta, porém, de uma maior paixão de Scott pela ficção-científica do projeto, tratada com certa frieza - talvez em demasia, para fazer crer em seus absurdos (e complicações) e acompanhar tudo em longos 128 minutos. Mas bastante recomendável o filme (e acima da média, para um Bruckheimer).
Deja Vu 
de Tony Scott. Roteiro de Bill Marsilii e Terry Rossio. Denzel Washington, Paula Patton, Jay Oliver, Patt Noday, Val Kilmer, Adam Goldberg, Elle Fanning, James Caviezel, Donna W. Scott. 128 minutos. EUA, 2006.
Visto no Cinemark Metrô Tatuapé 7, SP, Janeiro / 2006.
posted by tobey, an acer at 11:57 AM
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Terça-feira, Janeiro 23, 2007
MELHORES FILMES DE 2006
1 - Espelho Mágico (Manoel de Oliveira)
A busca pela alma (a alma da busca).
2 - Estamira (Marcos Prado)
Sobre tudo, sobre o nada.
3 - Crime Delicado (Beto Brant)
Babel.
4 - Sentinela (Clark Johnson)
Tudo o que Hollywood deveria.
5 - Caché (Michael Haneke)
O (devido) lugar de cada um.
6 - O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee)
Os caminhos da representação.
7 - O Sabor da Melancia (Tsai Ming-liang)
Era uma vez o calor.
8 - Tudo em Família (Thomas Bezucha)
Agora seremos felizes.
9 - Eu me Lembro (Edgard Navarro)
Memória como montante e restante.
10 - O Crocodilo (Nanni Moretti)
A vida é cheia de sons.
11 - O Novo Mundo (Terrence Malick)
Nascer. Renascer.
12 - Aquamarine (Elizabeth Allen)
O amor não é o mito.
13 - Transamérica (Duncan Tucker)
Água, corpo e alma.
14 - Árido Movie (Lírio Ferreira)
Os mitos e os mortos.
15 - Eu, Você e Todos Nós (Miranda July)
A hora e o tempo de cada um.
16 - Retratos de Família (Phil Morrison)
Cada um é um só.
17 - Eragon (Stefen Fangmeier)
A vida segundo Hollywood. Os gêneros como catalogação da vida.
18 - A Noiva Síria (Eran Riklis)
A elegante união de uma desilusão.
19 - Quando um Estranho Chama (Simon West)
Boa carpintaria, melhor terror do ano.
20 - Roma, um Nome de Mulher (Adolfo Aristarain)
Novelão belo, filme-irmão de Eu me Lembro.
posted by tobey, an acer at 10:56 PM
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Sábado, Janeiro 20, 2007
RUMO
O blog do meu amigo Anderson, Trincheira, foi (finalmente) atualizado. Vale a visita.
posted by tobey, an acer at 11:00 AM
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Sábado, Janeiro 06, 2007
CONTA COMIGO
Eragon   
de Stefen Fangmeier. EUA, 2006.
O diretor foi muito feliz em planejar um filme enxuto e que pensa no fundamental para todos os elementos. Desde a apresentação da história, das personagens (e a ambiência criada), até a construção da aventura e dos efeitos visuais, nada me pareceu ostensivo, porque é bem dosado, acabado, fluente numa duração relativamente curta (104 minutos). Eragon não procura mais do que o livro parece pedir, e isso caracteriza toda a narrativa porque há um sentimento de infância muito forte ali (o ponto alto, talvez, seja quando o dragão aparece de armadura para seu cavaleiro). Fazia tempo que não via uma aventura plasticamente tão bonita (as cenas de sonho de Eragon são fantásticas) e seguramente brega, infantil e imperfeita (de certa forma, os vilões mereciam bem mais do que alguns planos derivativos). O filme pede uma continuação não pela falta de solução da trama, mas sim porque, legitimado pelo elenco acertado, os aventureiros, mesmo que inconscientemente, anseiam, a cada fotograma, por ampliar sua roda de amigos.
posted by tobey, an acer at 1:58 PM
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
FILMES DE DEZEMBRO/2006
Excelente 2007 para todos nós. Em breve posto a lista definitiva dos melhores de 2006. Entre vistos e revistos:
Sedução (1989, Abel Ferrara)   
Lianna (1983, John Sayles)  
C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor (2005, Jean-Marc Vallée) 
Mundo Novo (2006, Emanuele Crialese)    
O Labirinto do Fauno (2006, Guillermo del Toro)  
Lo que me Digas la Vida (2006, Isabel Alvarez)  
Adrenalina (2006, Mark Neveldine / Brian Taylor)
Pulse (2006, Jim Sorenzo)
Só Deus Sabe (2005, Carlos Bolado)
Time (2006, Kim Ki-duk)
Maria Antonieta (2006, Sofia Coppola)
As Férias da Minha Vida (2005, Wayne Wang) 
Os 12 Trabalhos (2006, Ricardo Elias) 
Os Invasores de Corpos (1993, Abel Ferrara)   
Olhar Estrangeiro (2005, Lucia Murat)
Tudo que o Céu Permite (1955, Douglas Sirk)  
Foi Deus quem Mandou (1976, Larry Cohen)  
Imitação da Vida (1959, Douglas Sirk)   
O Crocodilo (2006, Nanni Moretti)   
Pingue-Pongue da Mongólia (2005, Ning Hao)
007 - Cassino Royale (2006, Martin Campbell) 
Vício Frenético (1992, Abel Ferrara)    
O Segredo de Beethoven (2006, Agnieszka Holland) 
Eragon (2006, Stefen Fangmeier)   
O Ilusionista (2006, Neil Burger)  
A Caldeira do Diabo (1957, Mark Robson) 
Saindo do Armário (1998, Simon Shore)  
posted by tobey, an acer at 11:22 PM
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