THE BRIDGE


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  1. Ponte para Terabítia
  2. Maria
  3. Comédia do Poder
  4. Proibido Proibir
  5. Em Busca da Vida
  6. Zodíaco
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  10. Eu me Chamo Elisabeth
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Segunda-feira, Julho 16, 2007
TRÊS ANOS DEPOIS DAQUELA MOSTRA

Pode parecer uma bobagem, ou podem achar que estou pirando (posso estar mesmo), ou sob efeito de drogas ilícitas (que não consumo, aliás), ou simplesmente embriagado de sono (outra possibilidade) ou pela falta dele.

Ás vezes tenho certa dificuldade em definir o que é o real. Na verdade não é distinguir o real do imaginário (porque o plano é um só, é o mesmo; não é tão simples assim), mas sim acreditar que tudo o que vejo e esteja ao meu redor seja mesmo “real”. Já tentei explicar para alguns amigos, que também fizeram essa cara de estranheza e não entenderam nada (ou resolveram, por alguns segundos, que iriam cortar relações) - se fosse fácil, eu mesmo melhor me explicaria.

E agora, às 2:27 da madrugada, logo após alguns “ataques” de labirintite (no ouvido esquerdo, fraca, esporádica), que fora a seqüência de uma conversa ao telefone de uma hora com uma (grande, enorme) amiga, que por sua vez foi antecedida por uma conversa discutida, ao telefone, enorme, de duas horas, com uma (grande, enorme) amiga. Esta última, retendo.

Tenho consciência de que minhas opiniões sobre filmes não são exatamente o que as pessoas esperam, por assim dizer. Isso não se faz. Não se é por imposição a uma máscara social, muito menos para parecer diferente simplesmente, como um impulso comum adolescente de chamar atenção (depois, na idade adulta, caso isto persista, geralmente é feito, de outra forma). Não sinto predisposição para coisas do tipo (e não estou condenando quem. Acho que tudo, aliás, tem um motivo).

Acho que tudo aliás, tem um motivo.

Mas, vez ou outra, ouço certo tipo de exclamação (mesmo que a pessoa não tenha pensado duas vezes antes de dizer, mas ela diz. Não é por mal, mas ela bem diz). Mais ou menos como filme: prólogo, desenvolvimento, tensão, redenção. A redenção, por sua vez, contudo, deixou uma ponta solta. Deveria deixar para lá que de vez em quando eu deva ouvir que mas minhas opiniões são sempre muito diferentes das da maioria...

Eu deveria deixar de ouvir ou simplesmente encontrar uma cura para meu raro tipo de sensibilidade crônica.

Gus Van Sant até que merece uma boa discussão, mas nem sabe que eu existo. Últimos Dias e Elefante são filmes estruturalmente semelhantes, dessa sua fase bastante vigorosa, investigativa por perguntas, acerca de mistérios. Últimos Dias obra-prima.

Elefante, para mim, representa um paradoxo muito grande. Não acho que, por mais real que tudo seja, por mais que todos os elementos do filme tenham sido comprovados (seja através de depoimentos, de investigações policiais, etc), depois da sala de montagem ele realmente possa, majoritariamente, existir unicamente como um filme “documental”, um “registro” puro, que não toma partido de nada.

Eu acho que toma. Para um projeto supostamente livre do que se dizem ser moralismos, que apenas procura por perguntas, não é um filme bem pensado. Garotos assistindo ao Hitler na televisão, do jeito que está, não é tomar partido de nada. Os garotos no chuveiro não é tomar partido de nada (o problema existe, não adianta destratar, recuar, descontextualizar). Amigas vomitando no banheiro após uma refeição, com naturalidade, não é tomar partido de nada. É uma realidade, abordada de fato (ou são fatos). Um material filmado, também como uma realidade, um fato, pode virar filmes bastante diferentes. E dentro de sua estrutura, mesmo tratando de “fatos”, cenas desse tipo em Elefante acabam gerando uma outra coisa que talvez o filme nem quisesse ser de início. Acaba virando um registro equivocado de jovens inconseqüentes e delinqüentes somente, cujos problemas não sejam provenientes de ninguém e nada que não deles mesmos. Não há uma família, não há uma sociedade, não há uma política, não há uma História.

Entendo que, provavelmente, Van Sant quisesse evitar ao máximo, no mínimo, os clichês (família desestruturada = filho rebelde, e por aí vai), mas acredito que o tema seja muito sério e que o filme, como é, o simplifica. Acredito em concessões, da conseqüência. Uma coisa acabou gerando uma terceira. Não defendo o massacre, claro, compreendo sim que o buraco seja mais embaixo e muito acima da revolta. Acho que tudo o que é incerto deve ser investigado (não acho que o cinema tenha uma missão). Uma coisa deveriam, porém, apre(e)nder: a respeitar, a dúvida.

Voltando, novamente, à primeira pessoa: não acho o rato um animal bonito. Nem aqueles pretos que saem dos esgotos, nem os branquinhos presos em gaiolas e correndo naquele brinquedinho em pet shop, nem os que aparecem em casa, na casa de alguém, uma vez ou outra na vida. Não acho bonito. E o 3-D, pela primeira vez, me incomodou. João e Sérgio não gostam, e talvez agora eu entenda um pouco melhor. Creio que o mínimo seria respeito, mas o que obtive foi, do jeito que me soou, um déjà-vu, do sexto parágrafo.

O rato, de Ratatouille, durante duas horas, não foi bonito. Durante duas horas, um computador tentou me fazer acreditar que um rato cozinheiro era bonito. É somente a minha opinião. Outros elementos não funcionam, mas o rato também era feio. A questão não é o real, é o 3-D. Mas, novamente, a fixação em um choque aparente, diferente, súbito, gera intolerância, imediata, dolorida.

Eu acredito em controle, espera, paciência, respeito, escolha, tempo. Sou um sonhador sem um pingo de sono.



posted by tobey, an acer at 4:19 AM

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A ponte entre o cinema e a vida.